Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Circuncisão do bem e do mal



As letras enrolam-se na circuncisão do bem e do mal.

O floreado malicioso das máscaras sufocantes, atropelam a humildade inconsciente dos corações de neve deste povo.

Derretam-se almas formatadas!

Inundem-se de sorrisos reluzentes!

Ofusquem-se com claridades transparentes!


Raciocínios equilibrados entre o desequilíbrio de uma balança mal balançada.


Que se passa povo?

Que festa desesperada!

Que constante alcoolemia absurda!

Deixem-se disso pobres criaturas hipnotizadas pelos trocos ocasionais.

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Saúdo-te um amor sem provas...


- Saúdo-te um amor sem provas.

Promíscuos sentidos.

- Desse modo, no teu mundo, não haveria amor.

Possessão assolapada.

- Há coisas que vale a pena ter.

Necessidades egoístas.

- Não imaginas o efeito que essas palavras têm em mim.

Este fado vem dos olhos


Este fado vem dos olhos
Almas curiosas, caridosas
Este fado vem dos olhos
Crenças, inconscientes, talentosas.

Canta moça dos olhos pretos
Que há muito que te pedem que cantes
E só por não saberes que o sabes te recusas a cantar.

Tanto peso sobre esse olhos
Que fado duro de carregar
Esse fado que provem dos olhos
Cantarolado, torna-se mais leve de suportar.

Canta moça dos olhos pretos
Que há muito que te pedem que cantes
E só por não saberes que o sabes te recusas a cantar.

Percussão Sincopada


Percussão sincopada desta sonoridade invisível
Sonoridade precursora deste estado mental
Os estados dissolvem-se precocemente
Nos cardumes assolapados da alma.

Bate, bate ritmo constante
Bate, bate percussão sincopada
Esgota-me das crises cardíacas
Ou alenta-me o ritmo constante.

Apelando às flautas mágicas
Embalo-me na abstracção pautada da lucidez
Percussão sincopada desta sonoridade invisível
Sonoridade precursora deste estado mental

Bate, bate ritmo constante
Bate, bate percussão sincopada
Esgota-me das crises cardíacas
Ou alenta-me o ritmo constante.

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

A sabedoria do Tejo


Rio pensante.

Luz idiota.

Sorriso matinal que o Tejo no teu olhar transborda.

Cores serenas.

Cores pesadas.

Há penas aos quilos

Nas balanças quebradas

...

Consta que os sábios versos teus

Nasceram nesta manhã.

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

Notícias tuas


Notícias tuas

Correm por rios de Portugal.

Notícias tuas,

Esvoaçam-se pelos ventos da capital.

Notícias tuas

Não saem no jornal,

Investigo-as nas margens correntes de antigamente.

Notícias tuas... não as tenho.

Pois reclamo, proclamo:

- De nada me serviriam se na realidade não me pertences, meu amor!

Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Pensares iridescentes


Quando penso no isolamento assolapado, neste círculo desalinhado, lembro-me da grafomania.

- Ideia vazia sem consequência cardíaca.

No olhar, findava a incurável doença das estrelas.

(Impedimento entre o Homem e os sóis e estrelas.)

No sentir, o conformismo da impotência de posse nula.

A beleza é a abolição da cronologia e a revolta contra o tempo.

A beleza é a flor murcha que verte pólen através da distância dos anos.

Mas,

Que será feito da beleza humana, quando se der um certo encolhimento?!

(E será que os olhos também envelhecem, encolhem?)

Será o encolhimento real do homem que abandona as dimensões de adulto, e inicia a longa viagem, através da velhice e da morte, para o longínquo, em que só existe um nada sem dimensões?

Ou este encolhimento será apenas uma ilusão de óptica?

Bem...

Se validarmos a segunda opção, o isolamento e a grafomania deverão ser também uma ilusão de óptica.

E os batimentos cardíacos só existirão para dar música a uma vã epopeia musical.

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011


Hoje coloquei todos os meus brinquedos extenuantes no caixote. Ouvi o piano ecoar um lesto sorriso. Sentei-me ao sol do meio-dia e, acalentada pela melodia, pintei-nos.
Sabes, o meu fado acossa-me a alma com teses que nem sei serem pertinentes. No entanto, a natureza de simplesmente ser encontra-se a meu prazer : )

Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Sonhos...


Sonhei que era a tua amante querida,
A tua amante feliz e invejada;
Sonhei que tinha uma casita branca
À beira dum regato edificada...

Tu vinhas ver-me, misteriosamente,
A horas mortas quando a terra é monge
Que reza. Eu sentia, doidamente,
Bater o coração quando de longe

Te ouvia os passos. E anelante,
Estava nos teus braços num instante,
Fitando com amor os olhos teus!

E, vê tu, meu encanto, a doce mágoa:
Acordei com os olhos rasos d'água,
Ouvindo a tua voz num longo adeus!

Florbela Espanca

Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

E tudo porque... é simples!


O pincel molhado, naquela água manchado,
Permanece imóvel, intacto, à espera do seu artista.

Artista incógnito, artista desaparecido,
Artista que vive, sobrevive, no vazio ocupado pela saudade.

Saudade da ignorância de conhecer uma só arte
Saudade do preenchimento do que é simples...

E tudo porque as ambições são superiores à simples essência do ser.